Dizem – e o sujeito desse verbo são pessoas de cabeça fechada, que acreditam que só o que eles gostam é realmente bom – que pessoas ecléticas não têm personalidade.
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Vamos começar pela definição do meu brother Houaiss. Ecletismo s.m.: qualquer doutrina ou prática que escolhe o que há de melhor entre várias doutrinas, métodos ou estilos.Está exatamente aí o x da questão. Olha só como o eclético é interessante: ele não tem preconceitos, é aberto a novas experiências, sabores, sentidos… Ele sabe identificar o melhor de cada coisa, sabe que existem horas, lugares e circunstâncias que combinam com determinadas escolhas. Ele se adapta. Pode ouvir jazz no engarrafamento, dançar hip hop sábado a noite, curtir um samba no domingo e estudar ouvindo Mozart. Freqüenta todos os lugares e se sente bem em todos, sabendo aproveitar as vantagens de cada um.
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Veja bem, ele não é sem personalidade (s.f. [...]2 qualidade essencial de uma pessoa, originalidade 3 aspecto que alguém assume e projeta em público; imagem [...]). Primeiro, porque os ecléticos são muito distintos uns dos outros: enquanto determinadas “tribos” são perfeitamente previsíveis (ex.: “pessoas que gostam de axé gostam de Ivete Sangalo e/ou Babado Novo, e/ou Asa de Águia e/ou Chiclete com Banana”) os ecléticos tem um campo infinito de escolhas, resultando em inúmeras combinações. São diferentes, pois, cada um sabe se identificar com várias coisas de vários grupos temáticos. Então, eles sempre vão ser originais, pois não seguem um padrão. Não porque acham que precisam sair do padrão, mas, melhor ainda, isso acontece naturalmente.
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Outra característica, nem tão relevante, mas que vale a pena citar, é que, principalmente na adolescência, onde as tribos têm seus gostos musicais, de locais pra freqüentar, gírias a dizer e roupas a vestir, o eclético não tem nada disso. Ele não vai precisar desses suportes pra se identificar com o seu grupo, já que ele é misto. Pode parecer que ele vai se sentir excluído, mas na verdade ele está apto a fazer qualquer tipo de amizade. Ele conhece um pouco de cada um, e em parte, pode se identificar com todo mundo.
É claro que pode parecer falso, já que ele apresenta diferentes imagens pessoais para determinadas situações, mas ora, nenhuma delas é falsa! Ele tem o direito de gostar de coisas diferentes, ué!
E só posso terminar esse texto com uma citação muito pertinente, ainda que batida: “Eu prefiro ser essa metaformose ambulante/ do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Ass: Vivi, cujo Ipod contém os mais variados artistas. Afinal, bom mesmo é ser imprevisível. Porque eu adoro quando alguém tenta me definir e se limita no preconceito que tem pela minha imagem.