(Longa) Reflexão sobre arrogância e simpatia.

Eu adoro sair pra dançar. Tem uma boate aqui de Brasília que eu vou muito com minha melhor amiga, e por isso dizemos que temos muitas “histórias de trend” – Trend Lounge é nome da boate ou câmara-de-gás-de-nicotina-subeterrânea-com-música.
P.S.: essas histórias cômicas ainda vão render uma categoria por aqui.

Voltando ao assunto, o que eu pude aprender de todas essas histórias foi:

1. Os caras acham as minas de Brasília arrogantes;
2. Os caras acham as minas de Minas Gerais simpáticas;

Já perdi a conta de quantas vezes perguntaram se sou de Minas. Olha, eu garanto que não tenho sotaque de mineira, aliás, costumo ter agonia de fonemas estranhos aos que eu aprendi na minha alfabetização, mas é verdade que perguntam muito. Também devo dizer que, definitivamente eu não sou um doce de pessoa, porém, antes que você saia me chamando de convencida, leia o texto até o final, trato feito?

E afinal, as Brasilienses são arrogantes?
Bem, generalizar é sempre um pecado…mas…digamos que sim. Agora passando a culpa dessa guerra dos sexos pro outro lado, isso deve ter um motivo. Vai ver os caras que estão chegando do jeito errado.

Durante as minhas observações, conclui que existem 3 categorias predominantes:
A) Os bêbados idiotas, que chegam com bafo de vodka e esperam que você tenha saco para o “vem cá, vamosss só nos conhecer”.
B) Outro subgrupo que a gente imediatamente classifica como sem chance: nerdz, retardados, e esquisitos de toda sorte.
C)
E os caras que estão de boa, que chegam pra conversar mesmo.

Opa, você generalizou, Vivi! Ta, não tem jeito, se não fizer isso, não consigo analisar a situação. Enfim, considerando que apenas um desses 3 tipos vão ter real chance com as minas normais (descarte aqui as piriguetes, desesperadas, bêbadas e piriguetes-desesperadas-e-bêbadas) e que muitas vezes esse tipo é minoria na balada, e que desse tipo aparentemente normal, ainda vão ter os caras que vão dizer merda, ou seja, considerando tudo isso, a gente conclui que as mulheres normais acabam passando a noite inteira tendo que agüentar essa maioria frustrante chegando nela. Os freaks são até fáceis de dispensar, mas e os bêbados, que agarram e vão logo fungando nosso cangote? Entendeu aonde eu quero chegar? Traumatizadas pelas péssimas condições, elas começaram a dar toco em qualquer ser que mija em pé, salvo exceções, tipo se o homem for um deus grego.. Elas já saem pra balada esperando o pior e sem saco. Elas nem dão mais ouvidos, viram a cara, ignoram, e se preciso, levantam aquela mãozinha como quem diz “basta!”. É, nada simpático. Daí vemos que na verdade, talvez eu nem seja assim legal, eu apenas não sou tão chata. Sacou?

Agora, entra a parte da minha experiência pessoal
Como dizia minha vó, eu sou namoradeira. Já fiz as contas, desde meu primeiro beijo (real, beijinhos de pré-escola obviamente não contam) até hoje, eu fiquei quase 80% do tempo comprometida. E não foi por isso que deixei de sair só com minhas amigas pra bares, shows, boates e afins de vez em quando! Senão, como eu agüentaria tanto tempo se namorasse com caras chatos e possessivos?

Todo mundo sabe que aliança até ajuda, mas não é cerca elétrica, logo, dei muitos e muitos tocos nessas ocasiões. “Nossa, vivi, você devia ficar de saco cheio de ficar despachando o povo, como você ainda conseguia ‘ser simpática’?”. Olha, eu fico refletindo as vezes como, nesse aspecto da vida, é melhor ser mulher. O ato de chegar em alguém, deve ser muito chato. Ficar tentando, tentando, se expor, levar toco, etc etc. Tudo bem que faz parte e tudo sai muito natural, não é nenhum trauma. Mas sei lá, tomar iniciativa, ter cara de pau de chegar e falar “oi”, estando sóbrio e ainda assim conseguir ficar com uma garota legal e bonita, deve ser meio trabalhoso. E, mais, eu acho que se todo mundo for arrogante a balada seria uma merda, então tento fazer minha parte.

Resumindo, quando os caras chegam em mim, se ele não estiver muito bêbado, porque aí dar atenção só piora, eu respondo: oi, meu nome é tal, prazer te conhecer também, mas eu tenho namorado. Pronto. A partir daí, há os educados, que se retiram; os que se fazem de incrédulos e me chamam de mentirosa, e os que são babacas.

Os que se fazem de incrédulos, acabam perdendo o bom senso, pedindo pra ver aliança. Aí, começa a parte que eu vou dizendo “olha, sem chance, sério!” e começo a ignorar. Os babacas, eu respondo no mesmo tom.

É, eu também sei ser babaca. Foi semana passada que o cara falou “Ah é? E cadê o corno?”. Honestamente, ainda que eu traísse meu namorado eu jamais ia deixar um idiota que eu nunca vi na vida falar assim dele. Afinal, eu ainda estou namorando, então eu devo sentir um mínimo de pena, pelo menos! Acho que a mulher tem que ser muita escrota pra achar isso engraçado. Porque as mulheres traem por várias razões, mas nunca vi uma trair porque acha engraçado. Foi aí que eu respondi:

– Está comendo a sua mãe, otário. Vaza.

Minhas amigas e os amigos do cara começaram a rir muito do que ouviram. O sr. Apelão-porque-tem-pinto-pequeno ficou putinho, mas sem graça. Me xingou de alguma coisa e foi embora.

E ainda assim você continua sendo simpática?
É aquela história, minha educação depende da sua. Se o cara está agindo normalmente, eu converso. Já até bati uns papos sobre esse assunto do texto com uns caras que perguntaram se eu era mineira. Não custa nada. E meu namorado confia muito em mim pra ter certeza que simpatia não tem nada a ver com dar mole. E os caras maduros também identificam isso. Logo, nada demais.

Moral da história: queridos machos-de-plantão, sejam simpáticos, educados e criativos na hora de chegar. Eu não sou homem pra testar isso, mas aposto que vai ser mais eficiente que bafo de vodka.

4 Comentários »

  1. Thiago Said:

    É.. a melhor balada que eu já fui foi em rio claro.. só tinha caipiras. Era só eu abrir a boca com meu não-sotaque pras meninas gamarem. Umas 4 ficaram dando em cima de mim, mas eu estava muito puto aquele dia, foi um dos piores de my life, só fiquei um uma, mas isso não interessa.

    O que vem ao caso é que: Mineiras são simpáticas, sim! Nunca conheci uma antipática.

    e, é muito chaaaaato chegar nas meninas na balada. me expor, levar toco, etc, etc. a cada toco que levo invariavelmente me vem o seguinte pensamento: ‘levei fora dessa maldita? daqui 20 anos oque ela vai ser? mais uma mulherzinha-fracassada-de-vida-chata, e eu vou ser o fodáo-rico. ela imploraria pra que eu olhasse pra ela. maldita!’

    nas últimas baladas não cheguei em ninguém. x)

    p.s. as paulistas são mais chatas que as brasilienses, eu te garanto!
    p.s.² – vc escreve bem.

  2. Johnny C Said:

    nossa, mesmo já tendo trocado idéia pelos comentários da PdH, acho que é a primeira vez que visito seu blog rs…

    e adorei! simplesmente confirmou a visão que eu tinha de você pelos comentários de lá! =)

    concordo com o Thiago, as paulistas são mais chatas. Pelo menos todas brasilienses que eu conheci foram simpáticas – aqui tem sido uma coisa um tanto rara… =\

    e como comentei por lá (PdH), logo logo estou indo pra BSB! Depois precisamos trocar umas formas de contato, porque o povo do trampo com certeza vai armar um happy hour de boas vindas, e quanto mais gente de brasília tiver por lá pra eu conhecer, melhor =) to avisando todo mundo daí com quem tenho contato rs…

    beijos!

    ps: foi pro google reader😉

  3. Jorge Said:

    Também sou de BSB, achei bacana teu texto. Acho que a culpa é dos babacões que puxam as gurias e tentam beijar a força e coisas do tipo, mas sei lá. Balada é uma parada interessante, já fui inclusive algumas, “leia-se muitas”, vezes na trend (amei tua descrição “câmara-de-gás-de-nicotina-subeterrânea-com-música” de lá, lembrei de cada milimetro da trende lendo isso rsrsrs), na verdade as pessoas tem medo, afinal o que mais fara uma pessoa que já tem uma abordagem violenta? De qualquer forma adorei o Blog. Parabéns.

  4. Lucas Said:

    Muito legal o blog!
    Moro em Brasília tb… e sou mineiro!

    Vi no seu texto aqui todas as minhas longas conversas de bar com os amigos a respeito da simpatia feminina!

    Concordo com o q vc falou! Se as meninas de brasília sao antipáticas nos agitos, a culpa é dos malas…

    Nao bebo muito… tomo minha cervejinha tranquilo e nao fico caindo pelas tabelas… me sinto prejudicado pelas atitudes dos manés… por isso tenho preferido abordagens menos tradicionais… em bares, na academia… pra tentar conhecer pessoas interessantes…

    Enfim… parabens pelo blog!
    Vc nao é de brasília, é?!
    É mineira?
    ahUahuHauhUahuHAuhUA
    Brincadeirinha

    Beijos


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